O câncer de próstata é o tumor maligno mais comum entre os homens no Brasil, especialmente após os 50 anos. Apesar de frequente, ainda há muitas dúvidas, tabus e receios que dificultam o diagnóstico precoce, justamente o principal fator que aumenta as chances de cura.
Este guia definitivo reúne, de forma clara e completa, tudo o que você precisa saber sobre causas, fatores de risco, sintomas, exames, diagnóstico, estadiamento e opções de tratamento. Um conteúdo aprofundado, baseado em evidências científicas e na prática clínica moderna da urologia e uro-oncologia.
Sumário
ToggleO que é o câncer de próstata?
O câncer de próstata é um tumor que se desenvolve na próstata, uma glândula localizada abaixo da bexiga e que participa da produção do sêmen.
Na maioria dos casos, o tumor cresce lentamente ao longo dos anos. Porém, alguns casos podem ser agressivos, evoluindo rapidamente e se espalhando para ossos, linfonodos e outros órgãos. Por isso, conhecer seus sinais e realizar os exames preventivos é essencial.
Causas e fatores de risco do câncer de próstata
A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas a ciência já identificou fatores que aumentam significativamente o risco de desenvolver câncer de próstata.
1. Idade
É o fator de risco mais importante.
- Raro antes dos 40 anos
- Cresce rapidamente após os 50
- Mais de 70% dos casos aparecem após os 65 anos
2. Histórico familiar
Se pai, avô ou irmão tiveram câncer de próstata, o risco dobra.
Quanto mais jovens esses parentes foram diagnosticados, maior o risco familiar.
3. Fatores genéticos
Mutação em genes como BRCA1 e BRCA2, além do HOXB13, aumentam o risco e a agressividade da doença.
4. Etnia
Homens negros têm maior risco devido a características genéticas e variações biológicas:
- Maior incidência
- Maior agressividade
- Diagnóstico deve começar mais cedo
5. Hábitos de vida
Alguns fatores potencializam o risco:
- Dieta rica em gordura saturada
- Obesidade
- Sedentarismo
- Tabagismo
- Baixa ingestão de frutas e vegetais
Esses hábitos não “causam” o câncer por si só, mas influenciam o comportamento tumoral e a saúde geral do homem.

Sintomas do câncer de próstata
Um dos pontos mais críticos é que o câncer de próstata costuma ser assintomático nas fases iniciais, quando é mais fácil de curar.
Quando aparecem, os sintomas podem incluir:
- Dificuldade ou dor ao urinar
- Jato urinário fraco
- Aumento da frequência urinária, principalmente à noite
- Sensação de esvaziamento incompleto
- Sangue na urina ou no sêmen
- Dor pélvica ou lombar
- Dor óssea (em casos com metástase)
É importante destacar:
Esses sintomas não significam necessariamente câncer, podendo indicar próstata aumentada (HBP), infecção urinária ou inflamações. Somente exames conseguem diferenciar.
Exames para diagnóstico do câncer de próstata
O diagnóstico precoce é a principal arma contra a doença. Ele envolve a combinação de três pilares: PSA, toque retal e ressonância.
1. PSA (exame de sangue)
O PSA mede a quantidade de Antígeno Prostático Específico no sangue.
Níveis elevados podem indicar:
- Hiperplasia benigna da próstata
- Inflamação
- Infecção
- Câncer
Não serve para diagnosticar sozinho, mas sinaliza a necessidade de investigação.
2. Toque retal
Simples, rápido e altamente informativo.
Permite avaliar:
- Tamanho
- Consistência
- Presença de nódulos suspeitos
Cerca de 15% dos cânceres são detectados apenas pelo toque.
3. Ressonância Magnética Multiparamétrica
É o exame mais moderno para investigar o câncer de próstata.
Ajuda a:
- Identificar áreas suspeitas
- Classificar o risco da lesão
- Guiar a biópsia com precisão
É hoje um dos pilares da investigação.
4. Biópsia da próstata
É o único exame que confirma o diagnóstico.
Pode ser feita de duas formas:
- Biópsia sistemática (vários fragmentos coletados)
- Biópsia fusionada, guiada pela ressonância — maior precisão e segurança
5. Exames de estadiamento
Realizados quando há suspeita de doença avançada:
- Cintilografia óssea
- Tomografia computadorizada
- PET-PSMA (exame mais moderno para localizar metástases)
Estadiamento e classificação do câncer de próstata
O estadiamento define a agressividade do tumor e orienta o melhor tratamento.
1. Escore de Gleason / Grade de ISUP
O escore varia de 6 a 10, indicando o grau de agressividade:
- 6: baixo risco
- 7: intermediário
- 8 a 10: alto risco
A classificação moderna usa o ISUP, com grupos de 1 a 5.
2. PSA
Quanto maior o PSA, maior a suspeita de tumor agressivo ou avançado.
3. Classificação TNM
Avalia:
- T: extensão dentro ou fora da próstata
- N: acometimento dos linfonodos
- M: presença de metástases
Essa combinação determina o estágio da doença.
Tratamentos para o câncer de próstata
O tratamento é individualizado, considerando:
- Idade
- Agressividade do tumor
- Estadiamento
- Saúde geral
- Expectativa de vida
1. Vigilância ativa
Para tumores de baixo risco.
Envolve acompanhamento com:
- PSA periódico
- Toques retais
- Ressonância magnética
- Biópsias de controle
Evita tratamentos desnecessários sem aumentar o risco do paciente.
2. Cirurgia (Prostatectomia Radical)
Indicada para doença localizada ou localmente avançada.
As técnicas incluem:
- Cirurgia aberta
- Laparoscópica
- Cirurgia robótica (tecnologia mais moderna)
Por que a cirurgia robótica é preferida hoje?
- Movimentos mais precisos
- Menor sangramento
- Menor dor pós-operatória
- Recuperação mais rápida
- Melhor preservação da continência urinária
- Melhor preservação da função sexual
3. Radioterapia
Opção curativa para tumores localizados ou adjuvante após cirurgia.
Evoluiu muito nos últimos anos, com:
- Radioterapia conformacional
- IMRT
- Radioterapia guiada por imagem (IGRT)
4. Terapia hormonal
Bloqueia a testosterona, que alimenta o tumor.
Usada em:
- Doença avançada
- Metástases
- Combinação com radioterapia
5. Quimioterapia
Indicada principalmente para doença metastática resistente ao bloqueio hormonal.
6. Novas terapias
A medicina avançou significativamente, oferecendo opções como:
- Radiofármacos (Lutécio-177 PSMA): para metástases avançadas
- Terapias alvo: atuam diretamente nas células tumorais
- Imunoterapia: disponível para casos selecionados
- Inibidores de PARP: para mutações genéticas específicas
Prevenção: quando iniciar os exames?
A recomendação oficial:
Homens sem fatores de risco
- Iniciar rastreamento aos 50 anos
Homens negros ou com histórico familiar
- Iniciar aos 45 anos
- Em alguns casos, aos 40 anos, dependendo da orientação médica
Frequência
- Anual, com PSA e toque retal
A prevenção salva vidas. Quando diagnosticado na fase localizada, o câncer de próstata tem taxa de cura superior a 95%.
Câncer de próstata avançado: o que muda?
Quando o tumor se espalha para outros órgãos (metástase), o tratamento se torna sistêmico.
Os sintomas podem incluir:
- Dor óssea intensa
- Perda de peso
- Fadiga
- Anemia
Embora não seja considerado curável nesse estágio, a medicina tem avançado muito e hoje existem terapias capazes de prolongar a vida e melhorar a qualidade do paciente.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Todo homem vai ter câncer de próstata?
Não. Mas o risco aumenta com a idade.
2. O toque retal é realmente necessário?
Sim. Ele detecta tumores que o PSA não identifica.
3. O câncer de próstata tem cura?
Sim, especialmente quando descoberto cedo.
4. A cirurgia causa impotência?
A chance existe, mas técnicas modernas — especialmente a cirurgia robótica — preservam melhor os nervos responsáveis pela ereção.
5. Mudanças no estilo de vida ajudam?
Sim. Atividade física, dieta equilibrada e parar de fumar reduzem riscos e melhoram a saúde geral da próstata.
Conclusão
O câncer de próstata é uma doença comum, silenciosa e altamente tratável quando diagnosticada precocemente. Informação e prevenção são fundamentais para identificar o tumor em sua fase inicial, momento em que as chances de cura são muito maiores e o tratamento é menos invasivo.
Se você tem mais de 45 anos ou possui histórico familiar, converse com seu urologista e mantenha seus exames em dia.
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