Nos últimos 30 dias, 20 pacientes confiaram a mim e à minha equipe uma etapa importante de seu tratamento com a cirurgia robótica. É um número relevante, mas, quando penso nessas últimas semanas, não é o volume de procedimentos que mais me chama a atenção. Penso nas pessoas que chegaram até nós, nas famílias envolvidas, nos diferentes diagnósticos e nas decisões que precisaram ser tomadas ao longo de cada tratamento.
Cada um desses pacientes chegou com uma história própria, condições clínicas diferentes, expectativas, dúvidas e objetivos particulares. É justamente por isso que, para mim, falar sobre experiência em cirurgia robótica não significa apenas falar sobre tecnologia ou sobre a quantidade de cirurgias realizadas. Significa falar sobre a responsabilidade de avaliar cada caso individualmente, definir uma estratégia adequada e contar com uma equipe preparada para conduzir todo esse processo.
Experiência em cirurgia robótica começa antes da cirurgia
Quando se fala em cirurgia robótica, é natural que a atenção se volte para o robô, o console, os instrumentos e todos os recursos tecnológicos disponíveis dentro da sala cirúrgica. Esses elementos são importantes, mas representam apenas uma parte do tratamento. O trabalho do cirurgião começa muito antes de se sentar diante do console.
A decisão envolve compreender o diagnóstico, revisar os exames, avaliar as características da doença, as condições clínicas do paciente e aquilo que se pretende alcançar com o tratamento. Em casos de câncer urológico, por exemplo, aspectos como localização e extensão do tumor, possibilidade de preservação de estruturas, função dos órgãos e impacto esperado na qualidade de vida podem interferir diretamente no planejamento.
Por isso, a cirurgia robótica não deve ser escolhida apenas porque a tecnologia está disponível. Ela é uma ferramenta que pode trazer recursos importantes em determinados procedimentos, mas sua utilização precisa fazer sentido dentro da estratégia daquele paciente. É nesse contexto que costumo reforçar uma ideia que considero central na minha prática: antes da tecnologia, vem a decisão médica.
Leia também: Cirurgia robótica na urologia
O que significa ter experiência em cirurgia robótica?
A experiência em cirurgia robótica vai além de conhecer os comandos de uma plataforma. Ela é construída com a exposição a diferentes cenários cirúrgicos, com conhecimento anatômico, capacidade de planejamento e tomada de decisão diante das particularidades que podem surgir em cada procedimento.
Isso inclui saber reconhecer situações de maior complexidade, antecipar possíveis dificuldades, adaptar a estratégia quando necessário e entender tanto os recursos quanto os limites da tecnologia disponível. Também envolve saber quando a cirurgia robótica pode contribuir para determinado tratamento e quando outra abordagem pode ser mais adequada.
Ao longo da minha atuação, também tenho buscado contato com diferentes plataformas e tecnologias robóticas. Essa experiência amplia o repertório do cirurgião, mas não muda aquilo que considero mais importante: a tecnologia deve servir à estratégia de tratamento, e não determinar a estratégia.
Leia também: Novas plataformas de cirurgia robótica
Cada paciente precisa de uma estratégia própria
Mesmo quando dois pacientes apresentam diagnósticos semelhantes, isso não significa que receberão exatamente o mesmo tratamento. Na uro-oncologia, pequenas diferenças podem modificar significativamente a conduta.
No câncer de próstata, por exemplo, a extensão da doença, características do tumor, idade, condições clínicas e aspectos relacionados à função urinária e sexual podem fazer parte dessa avaliação. Nos tumores renais, entram também fatores como localização, tamanho e complexidade do tumor, além da possibilidade de preservar parte do rim. No câncer de bexiga, profundidade e estágio da doença têm papel importante na escolha do tratamento.

Por isso, uma pergunta precisa vir antes da definição da técnica: qual é o objetivo do tratamento para este paciente? A resposta orienta as decisões seguintes, inclusive a escolha entre cirurgia, outras possibilidades terapêuticas e, quando existe indicação cirúrgica, qual abordagem pode ser mais apropriada.
Por isso, uma pergunta precisa vir antes da definição da técnica: qual é o objetivo do tratamento para este paciente? A resposta orienta as decisões seguintes, inclusive a escolha entre cirurgia, outras possibilidades terapêuticas e, quando existe indicação cirúrgica, qual abordagem pode ser mais apropriada.
A individualização não é um detalhe do tratamento. Ela faz parte da própria decisão médica.
Para pacientes que já receberam um diagnóstico ou uma indicação terapêutica e desejam compreender melhor as possibilidades, uma nova avaliação também pode ajudar a revisar exames e discutir alternativas.
Leia também: Segunda opinião urológica
Cirurgia robótica também é trabalho em equipe
Quando vemos uma fotografia de uma cirurgia robótica, normalmente o cirurgião no console ocupa o centro da imagem. Na prática, porém, aquele é apenas um dos profissionais envolvidos no procedimento. Uma cirurgia depende de uma equipe inteira trabalhando de forma coordenada.
Cirurgiões auxiliares, anestesiologistas, enfermagem, profissionais familiarizados com a plataforma robótica e as equipes responsáveis pelo cuidado hospitalar participam de diferentes etapas do processo. Em cirurgias de maior complexidade, essa integração se torna ainda mais importante.
Por isso, quando falamos de experiência em cirurgia robótica, também precisamos falar da experiência da equipe. A tecnologia oferece recursos, mas é o trabalho conjunto entre profissionais treinados, planejamento adequado e organização do procedimento que permite utilizá-la de maneira responsável.

Tecnologia é ferramenta. A decisão continua sendo humana.
Apesar do nome, o robô não realiza a cirurgia de maneira autônoma. Os instrumentos da plataforma são controlados pelo cirurgião, que permanece responsável pelas decisões durante todo o procedimento.
Essa distinção é importante porque muitas vezes a discussão sobre cirurgia robótica fica concentrada em qual plataforma será utilizada. Para o paciente, porém, existem outras perguntas igualmente importantes: por que aquela cirurgia está sendo indicada, qual é o objetivo do tratamento, qual é a experiência do cirurgião naquele tipo de procedimento e como a equipe está preparada para conduzir o caso.
A tecnologia pode ampliar a visão, a precisão dos movimentos e as possibilidades técnicas em determinadas situações. Ainda assim, ela continua sendo uma ferramenta dentro de uma estratégia que precisa ser definida por pessoas.
Leia também: Quem opera na cirurgia robótica?
Por trás de cada cirurgia existe uma relação de confiança
Há um aspecto da medicina que nenhuma tecnologia consegue substituir: a confiança construída entre paciente, médico e equipe. Isso se torna ainda mais evidente quando alguém recebe o diagnóstico de uma doença complexa ou de um câncer e precisa tomar decisões importantes em um período geralmente marcado por dúvidas e inseguranças.
Ao escolher uma equipe para conduzir esse tratamento, o paciente não está apenas escolhendo quem realizará um procedimento. Ele está confiando sua saúde, suas expectativas e uma etapa importante de sua vida a esses profissionais.
É por isso que, ao olhar para os 20 pacientes que passaram por cirurgia robótica conosco nos últimos 30 dias, o número não é o ponto principal. O que ele representa é muito mais relevante: são 20 pessoas que confiaram a mim e à minha equipe parte do seu tratamento. E essa confiança aumenta também a responsabilidade de oferecer uma avaliação cuidadosa, uma indicação criteriosa e um acompanhamento individualizado.
Por trás de cada cirurgia existe uma pessoa, uma família e uma história que precisa ser considerada durante todo o processo.
Experiência também significa continuar aprendendo
A cirurgia robótica é uma área que continua evoluindo, com novas plataformas, instrumentos, recursos de imagem e possibilidades de planejamento sendo incorporados progressivamente à prática médica. Trabalhar com essa tecnologia exige, portanto, atualização constante.
Para mim, experiência não significa apenas acumular procedimentos realizados. Significa também continuar estudando, acompanhando novas evidências, participando de discussões científicas e conhecendo recursos que possam ser úteis em diferentes situações.
Essa atualização é importante justamente para não transformar a inovação em um objetivo por si só. Uma nova tecnologia só tem valor quando consegue ser incorporada de maneira responsável à prática médica e quando existe uma indicação adequada para utilizá-la.
Experiência em cirurgia robótica em Belo Horizonte

Sou o Dr. Guilherme Canabrava, urologista em Belo Horizonte, com atuação focada em uro-oncologia, cirurgia robótica e tratamentos urológicos de maior complexidade. Minha trajetória reúne assistência aos pacientes, atividade cirúrgica, ensino e formação acadêmica.
Atuo também como professor de Urologia e Cirurgia na UFMG, e minha formação está ligada à uro-oncologia e à cirurgia robótica. Essas diferentes frentes fazem parte da forma como procuro conduzir cada caso: compreender primeiro o paciente e sua doença, definir os objetivos do tratamento e, a partir disso, escolher a estratégia e os recursos mais adequados.
A cirurgia robótica ocupa uma parte importante da minha prática, mas continua inserida dentro de um princípio maior: a tecnologia precisa estar a serviço de uma boa decisão médica.
CRM/MG 61.887 | RQE 44034
Conheça também: Trajetória do Dr. Guilherme Canabrava
Saiba mais: Uro-oncologista em Belo Horizonte
Por trás de cada cirurgia, uma pessoa. Uma história.
Os números ajudam a dimensionar uma experiência profissional, mas eles não contam sozinhos o que existe por trás de uma cirurgia. Nos últimos 30 dias foram 20 pacientes, mas foram também 20 situações diferentes, que exigiram avaliação, planejamento e decisões próprias.
É dessa forma que prefiro enxergar a experiência em cirurgia robótica: não apenas como uma quantidade de procedimentos realizados, mas como a capacidade de reunir conhecimento, equipe e tecnologia para conduzir diferentes casos de maneira individualizada.
A cirurgia robótica é uma ferramenta importante na minha prática. Mas antes dela existem sempre o diagnóstico, a decisão médica e, sobretudo, a confiança de uma pessoa que entrega parte do seu cuidado à nossa equipe.




